Pequenas mudanças levam a grandes resultados

Artigo traduzido por Hilton Sousa. O original está aqui.

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Eu detestava a aula de educaçã física. Especialmente a chuveirada obrigatória no porão da escola. E aqueles calções que ficavam absurdamente folgados nas minhas pernas de palito-de-dente (pense no Bob Esponja). O obstetra (pediatras não haviam sido inventados ainda) disse à minha mãe que eu seria sempre alto e magro.

Durante o ensino médio, não fui nenhum candidato a prêmio Presidente de Forma Física. Com 1.78m, não tinha problema algum em alcançar a barra, mas parava por aí. Ficava pendurado lá sem conseguir flexionar os braços eliminou qualquer possibilidade de medalha de ouro. A barra era meu arqui-inimigo. Ao menos eu conseguia tocar nas vigas do teto durante a subida na corda, já que eu tinha apenas 44kg para levar até a estratosfera. Também era um desafio à persistência dos meus pais nas compras, encontrar calças boca-de-sino que me serviriam da maneira como deviam. E não se esqueça dos sapatos de salto... Caramba.

Adiantemos a história 40 anos. Ainda odeio a lembrança da educação física, mas pesando 76kg e com 1.85m descalço, eu consigo fazer 8 a 10 mini-barras na minha barra improvisada no porão. (Estou trabalhando para conseguir pelo menos umas duas barras "honestas"). Isso não vai parecer muito com uma história de sucesso, dado que ainda sou alto e magro, e relativamente em forma usando calças 42. Mas meu caminho não foi direto do ponto A ao ponto B. Houve muitas reviravoltas, altos e baixos, buracos e quebra-molas ao longo do caminho. Mas também houve paisagens bonitas e vistas panorâmicas.

Eu fui basicamente um nerd enquanto crescia, incluindo óculos "fundo de garrafa". Comecei a tocar trompete na banda da escola, fiz parte do Clube de Ciência, e andei um bocado de bicicleta. Vivendo numa cidade pequena deixava tudo a uma distância que se podia andar ou pedalar. Enquanto alguns dos meus amigos arranjavam carros, eu ganhei uma nova bicicleta de 10 marchas no meu aniversário de 16 anos. Me senti nas nuvens.

Gastei muitas tardes ensolaradas de verão em estradas pequenas, navegando entre milharais, e fiz até algumas pedaladas "centenárias" junto com amigos, indo até Columbus e voltando, em longos fins-de-semana - pedalando 108km em cada trecho. Na faculdade, toquei bombardino barítono (após ter trocado pelo trompete na 8a série) e fui membro da banda da Universidade Estadual de Ohio por 3 anos, quando Archie Griffin estava concorrendo ao seu 2o Troféu Heisman durante meu ano de calouro.


Aqueles foram os anos magros. Pesando 65kg distribuídos em 1.87m, eu fazia muito treinamento de força na época - manobrando e tocando o bombardino de mais de 7k - junto atividade aeróbica pesada: soprando continuamente o instrumento enquanto marchava 92m a uma velocidade de 180 passos por minuto enquanto tocava "Buckeye Battle Cry" (N.T.: o hino do time de futebol americano da faculdade). E isso era apenas a abertura do show antes do jogo.

Mas então, em novembro de 1977, me envolvi num acidente complicado no qual fiquei imprensado pelo abdômen - resultando em músculos distendidos, cartilagem partida nas costelas, quadril deslocado e uma perna mais curta que a outra. Não encontraram nenhum dano interno na época, mas fui sentenciado a uma vida sedentária aos 21 anos. Acho que estava ok, por ser um nerd que gostava de escrever, e eventualmente me tornei analista de dados especializado em Sistemas de Informação Geográfica (GIS).

Não é preciso dizer que os meus exercícios ficaram limitados. Caminhadas pela vizinhança funcionavam, mas passear entre exibições de arte ou circular por uma feira mostraram-se extenuantes, mesmo a passo lento. Era difícil para os quadris, e ficar de pé por longos períodos de tempo colocava pressão na base da coluna. Eu conseguia fazer pedaladas curtas, já que estava sentado, mas limitado a 16km. Anos de quiropraxia ajudaram a alinahr os quadris e a endireitar a perna, mas por causa da maneira como ela originalmente cicatrizou, eu precisava continuar voltando para "manutenção". Ioga ajudou a manter a elasticidade, entretanto. Adicione um pouco de Técnica de Alexander e Ayurveda, e eu consegui me virar.

A vida continuou a acontecer: trabalho, escola, casamento, mudança, mais escola, mais trabalho, ajudando a trazer dois garotos ruivos ao mundo enquanto ganhava 2.5kg por criança (ou isso só deveria se aplicar à mãe?). Fotos de família recentes mostram algumas décadas de acúmulo (natal de 2011, com nossos gatos - antes de nos tornarmos primais e nos livrarmos dos grãos).



Então veio o check up que mudou tudo em maio de 2012, com a minha enfermeira. Eu vinha "andando na beira" por diversos anos, mas esses exames de sangue me empurraram para o buraco. Era triste, mas verdade: eu havia me tornado um produto da Dieta Pardrao Americana e da Sabedoria Convencional. Os números eram algo assim:

Glicose: 132
Hemoglobina glicada (A1C): 7.3
Colesterol total: 231
HDL: 37
LDL: 148
VLDL: 46
Triglicérides: 229
Peso: 100kg

Eu era um candidato excelente para síndrome metabólica e diabetes tipo 2.

Eu já estava tomando remédio para controlar a pressão, e não gostava da idéia de novos medicamentos. Já tinha tomado estatinas brevemente uns anos antes, mas era como usar uma daquelas roupas de chumbo que põem em você ao fazer raio-x no dentista. Por um mês, estive continuamente fatigado, músculos fracos, e as caminhadas rua acima se tornaram uma escalada ao Monte Everest. Tomar aquela pílula para reduzir o colesterol enquanto tentava aumentar a quantidade de exercício para conseguir o mesmo efeito, pareciam ser autoderrotas.

Agora, dados aqueles números, algo tinha que mudar.

A primeira coisa a ir embora foi o açúcar. Depois vieram as coisas fritas salgadas (batatas fritas, bolos de batata) junto com outras gorduras trans-saturadas (margarina, óleos vegetais) e comida processada. Minha enfermeira também disse algo sobre carboidratos e massas, então... você adivinhou.

Durante essa fase preliminar, tanto a patroa quanto eu vínhamos explorando dietas mais saudáveis com a esperança de perder alguns quilos indesejados. A irmã tinha encontrado algo que funcionou para ela, e as duas incorporaram essa estratégia às refeições durante uma semana em que estiveram visitando o pai, no verão. Eu tinha encontrado um livro entre as coisas da minha mãe que falava sobre o açúcar e a montanha russa de glicose/insulina, e tive a chance de aplicar alguns dos princípios explicados naquelas páginas durante a minha semana de solteiro. Logo depois que a patroa voltou para casa, nós juntamos forças e começamos a experimentar com o que tínhamos descoberto. Mas parecia que ambas as nossas aproximações estavam centradas em apenas gerenciar e regular aquele ciclo de glicose/insulina usando comidas com muita fibra e carboidratos complexos.

Bem no meio dessas descorbertas, houve o nosso cruzeiro para o Alasca em julho. Nós dois somos os passageiros típicos de cruzeiro, mas permanecemos ativos explorando o navio e aproveitando as excursões à praia. Também fizemos escolhas melhores entre a vasta quantidade de opções oferecidas à bordo - menos pratos de massa, sem bebidas carregadas de açúcar, carnes magras acompanhadas por mais frutas e vegetais, bacon e ovos par ao café da manhã, e é claro, um pouco de sorvete diariamente - não se esqueça dos prazeres simples! Mas ainda que tívessemos comido até encher, ao retornar à balança após uma semana, o ponteiro mal se afastou do ponto que conhecíamos. Devíamos estar fazendo alguma coisa certo!

Durante o cruzeiro, participamos de um workshop que discutia metabolismo e desintoxicação. Há maneiras diferentes de fazer detox, mas a menos que você raspe os restos de tinta velha e se livre das infiltrações, a tinta nova vai simplesmente rachar e descascar de novo. E se você continuar jogando lama na sua parede limpinha, a menos que você tenha uma afinidade peculiar com arte de lama, a sala nunca vai ser uma sala realmente bonita. Foi aí que o Primal Blueprint entrou.

Já que estávamos em "modo detox", continuamos limpando. Além das mudanças dietárias que havíamos feito antes do cruzeiro, aprendemos mais sobre a água que bebemos e sobre os recipientes dos quais bebemos (veja "A escolha é clara" (1977), do Dr. Allen Banik, e "Livre de plástico" (2012) por Beth Terry). Se você tiver dúvidas sobre algo, ou um desejo de aprender mais sobre qualquer coisa, há o Google. Digite "garrafas de água seguras". Aperte ENTER.

Um dos resultados direcionou para o Mark's Daily Apple, onde um cara com o mesmo nome que o meu e sendo mais ou menos da mesma safra - mas aparentando ter 40 - estava dando a sua opinião sobre água mineral. Eu adorei o seu estilo de escrever, sua atitude, sua curiosidade infinita e sua visão sobre a vida. Comecei a explorar o site e descobri The Primal Blueprint.

Um empurrão fundamental desse "novo estilo ancestral" de vida foi eliminar os grãos da dieta. Eu descobri que isso era enormemente reforçado e explicado pelo livro do Dr. William Davis, "Barriga de Trigo". Até esse ponto, após cada modificação nos nossos hábitos alimentares com a perda de peso resultante, a homeostase sempre chegava e a balança do banheiro começava a subir de novo. Mas fazendo o "mergulho" primal no final de outubro de 2012 (Feliz aniversário primal, aliás!), eu comi minha última colherada de cereais feitos de grãos e tomei meu último copo de suco de frutas no café da manhã.

Como um resultado direto dessa pequena mudança, meu exame de sangue seguinte em fevereiro de 2013, foi dramático. Após um ano sendo queimadores primais de gordura, os números haviam caído e ambos perderam peso sem realmente nem tentar. A patroa alcançou a sua meta perdendo 9kg e entrando em calças dois tamanhos menores. Ela perseguia outros alvos relacionados à saúde, e foi revitalizada como resultado da vida primal. Ela também trabalha numa biblioteca e tem dúzias de oportunidades de "sugerir" o método para pessoas que buscal livros relacionados a dieta e saúde.

Maio/2012 Fevereiro/2013 Outubro/2013
Glicose 132 93 106
Hemoglobina glicada (A1C) 7.3 6.3 6.5
Colesterol total 231 172 204
HDL 37 42 51
LDL 148 112 135
VLDL 46 18 18
Triglicérides 229 88 89
Peso 100 78 75.5


Junto com a melhora dos números, a minha dosagem de remédios para pressão caiu de 10mg para 2.5mg, e meu peso está circulando na casa dos 75.5 há meses. Algumas coisas adicionais podem estar mais relacionadas à perda de peso e à inflamação sistêmica reduzida, mas meus tornozelos não incham mais, minhas costas, quadris e joelhos não doem mais, as escadas não são mais uma dificuldade e tenho mais energia. O tempo entre as visistas ao quiroprático aumentou de 3 para 6 semanas. E de alguma maneira, escapei da gripe do ano passado enquanto todo mundo no escritório caía como moscas.

Hoje, ainda toco o bombardino em uma banda de sopro em estilo inglês. Não vou a lugar nenhum com minha bicicleta ergométrica a passo moderado, com sprints ocasionais. Ando frequentemente até o armazem e de volta à minha baia a cada hora de trabalho, seguido por 12 agachamentos. A ioga se tornou muito mais efetiva e significativa. E eu não sinto falta de pipoca, fritas, cachorro-quente, cereal matinal, suco, massa ou pão - mas guiado pelo Rich Food, Poor Food, adoro explorar a culinária e combinar nóvas coisas que não foram processadas, tem gosto excelente e não me deixam em "coma" pelo resto do dia. O engraçado é, quando eu escorrego e como alguns biscoitos ou uma pilha de panquecas, todas as minhas articulações doem por no mínimo 2 dias.

Ainda há algumas coisas para trabalhar, como melhorar alguns indicadores, aumentar os movimentos primais essenciais e fazer ajustes viscerais finos (traduzindo: barriga de tanquinho). Todos nós somos trabalhos em andamento, mas depois de ler The Primal Blueprint, eu ganhei uma nova visão e apreciação mais profunda pela maneira como somos desenhados e construídos, e tenho um respeito renovado pelo Criador.




Mark W.

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Sobre o autor

Mineiro de Teófilo Otoni, morador de Belo Horizonte. Gosto muito de comer, e depois de alguns anos chafurdando na comilança de bobagens, decidi tomar tento e passar a comer comida de verdade. Descobri o modo de alimentação paleo/LCHF em meados de 2010, mas só comecei a por em prática em fevereiro/2013.

Hoje, sou mais feliz - e os exames de laboratório estão TODOS melhores :-D

Acompanhe minha trajetória em fotos aqui.

Aviso!

Este blog é composto por minhas opiniões pessoais, baseadas em auto-experimentação com dieta paleo, e também por artigos traduzidos - estes produzidos por estudiosos do assunto. As opiniões expressas aqui, minhas ou de outros autores, não podem substituir as de seu médico. O que funciona bem para mim, pode não funcionar para outras pessoas. Se você escolher seguir alguma das opiniões aqui publicadas, faça-o com o conhecimento do seu médico!

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