O paradoxo Sami - ou como desprezar uma dieta tradicional de baixo carboidrato e alta proteína

Artigo traduzido por Hilton Sousa. O original está aqui.
Esse artigo diz respeito à dieta e a saúde do povo Sami, nativos do norte da Escandinávia. A dieta sami tradicional pode ser sumarizada como baseada sendo paleo, com consumo de carnes de animais e leite gordo de renas. Eu vou me concentrar em três documentos recentes, uma dissertação sobre dieta e saúde sami, um documento do Conselho Sami sobre culinária tradicional  e uma análise por rádio isótopos conduzida em um esqueleto de uma mulher sami de 500 anos de idade.

Recentemente um estudo observacional sueco chegou às manchetes mundo afora. Ele afirmava que cada mordida de proteína que substituísse uma mordida de carboidratos iria te matar prematuramente, comparando com grandes comedores de carbs. Denise Minger dissecou esse mesmo estudo aqui

Mas aqui está o fato engraçado: a população original sami da Suécia tem comido uma dieta de baixo carboidrato por milênios. Uma estimativa é de 20% de carboidratos, 47% de proteína e 33% de gordura. Mesmo se eu considerar tal estimativa exagerando na quantidade proteína em relação à de gordura, a dieta tradicional sami era sem dúvida uma dieta altamente protéica. Os samis são conhecidos há séculos por sua boa saíde, longevidade e vitalidade, e na metade do século XX tinham frequência de infartos/doenças cardíacas 50% menor que os suecos.

Há até mesmo menções mais antigas à excepcional saúde dos sami. Essa é de S. Rehn, em 1671:

”E como eles não são atingidos por doenças sérias, vivem até idade avançada, alguns até 70, 80, 90 ou 100 ou mais, e em sua velhice são ágeis, rápidos em fazer suas tarefas diárias e em viajar e correr nas matas e na terra. Eles raramente tem cabelos grisalhos.”

Outro reporte vem de um dos maiores cientistas da história da Suécia, Carl Linnaeus - o inventor do Systema Naturae, o sistema de classificação de diferentes espécies de plantas e animais ainda usado hoje em dia. Em 1732, ele fez uma viagem de 6 meses à Lapônia, no norte da Suécia, onde estudou a biologia e as pessoas..


Imagem: Linnaeus na nota de 100 coroas

Imagem: um Linnaeus bem mais jovem, em sua viagem à Laoônia, usando roupa tradicional sami


No texto citado, Linnaeus usa a palavra "lapp" para descrever um sami. Esse era o termo usado na época, e eu o mantive em minha tradução - ainda que a palavra "lapp" em sueco moderno seja tão politicamente incorreta como descrever afro-americanos como "niggers" (N.T.: em tradução livre, "crioulo" - mas com um tom altamente preconceituoso e pejorativo). De qualquer maneira, eis o que ele tinha adizer sobre a dieta e saúde dos samis, comparada com a dieta dos suecos

“Um lapp nortista vive apenas de carne, peixe e aves, e por isso torna-se pequeno, magro, leve, ágil. Um fazendeiro, entretanto, nas províncias do sul da Suécia, comendo ervilhas, mingau de trigo sarraceno, e cuja dieta consiste principalmente de farinhas vegetais, torna-se alto, duro, forte, e então pesado [significando acima do peso ou obeso]”

“O lapp nortista não come pão mas é um exemplo de boa saúde. Eu vi homens velhos de 60 anos correndo pelas montanhas como crianças, a mesmo capazes de colocar seus pés sobre seus pescoços. Minha conclusão é que isso é possível pela ausência de pão. Todos os que comem pão tem um estômago obstruído.”


Isso não é simplesmente fantástico ? Cerca de 200 anos antes que qualquer um soubesse sobre carboidratos e seus efeitos na insulina e IFG-1, Linnaeus observou uma correlação correta entre carboidratos, altura e obesidad no avanço da vida. Ele também observa uma correlação entre pão, rigidez corporal e problemas com o trato gastro-intestinal. Eu realmente gostaria de ter Linnaeus conosco hoje em dia, discutindo sobre pão, junto com o Dr. William Davis ou postando em seu blog "Barriga de Trigo". Linnaeus e Rehn descreveram cedo o que é o Paradoxo Sami - uma dieta baseada em animais, livre de pão, com baixo carboidrato levando à longevidade e à boa saúde.



Recentemente, uma análise extensiva usando rádio isótopos foi feita em um esqueleto de 500 anos, que pertenceu a uma mulher sami de Gransjön, Jämtland. Os pesquisadores concluiram que ela não tinha nenhum sinal de cáries nem mostrava sinais de deficiência de ferro, ambas condições muito comuns entre as pessoas das cidades na mesma época, comendo uma dieta baseada em grãos, com muitos carboidratos. A análise de isótopos também foi consistente com uma dieta muito pobre em carboidratos. Ela mostrou, analisando dentes que se formam durante épocas diferentes da infância e o esqueleto em si (que se renova a cada 15 anos), que a sua dieta tornou-se mais carnívora à medida que ela envelheceu. As descobertas também estão alinhadas com uma dieta de fontes animais de mar e de terra.

Então assim como a "sabedoria comum" sobre dietas tem que lidar com o paradoxos dos franceses, dos suícos, dos masai e dos israelenses, ela também tem que enfrentar o paradoxo sami - como uma população comendo uam dieta de baixo carboidrato e alta proteína ser tão saudável ? Bem, a resposta clara é pegar dados observacionais do século XXI, quando praticamente ninguém mais come uma dieta sami, e chegar à conclusão que a dieta sami não tinha nada a ver com a sua boa saúde.

Agora, antes de começarmos com esse assunto, deixe-me declarar que não sou proponente de uma dieta de proteína. Minha opinião atual é que pessoas que estão acima do peso e/ou tem síndrome metabólica/diabetes/pré-diabetes vão melhor numa dieta com baixo carboidrato e muita gordura (LCHF - low carb, high fat). Eu entretanto acredito que uma dieta com muita proteina baseada em comidas boas pode ser uma dieta saudável para pessoas sem nenhuma problema metabólico (e sem nenhuma condição que afete a função renal).

Agora vamos começar. A dieta sami original, o que era ? O povo sami é mais conhecido por suas renas, mas provavelmente para a maioria dos samis, muitos dos quais não tinham rena alguma, caçar e mais especificamente pescar (geralmente truta e outros peixes gordos) compunha o principal da dieta. Também vale notar que o pastoreio de renas mudou um bocado durante o século XX, de pequena escala focada em manter renas para leite, para rebanhos maiores destinados à produção de carne.
Renas produzem pouco leite, se comparados com 
vacas - mas ele é muito mais gordo.



Os sami vivem numa área chamada Sapmi no norte da Suécia, Noruega, Finlândia 
e partes da península Kola (Rússia).


Muitos ainda vivem na parte norte da Suécia, mas a maioria dos sami adotou um estilo de vida ocidental e me disseram que o município com maior população sami na Suécia atualmente é a cidade de Estocolomo, capital do país. Não há como ter certeza dado que o registro étnico em registros públicos foi tornado fora da lei na Suécia após a II Guerra, por motivos óbvios.


De qualquer maneira, o povo sami vivia bem ao norte da Suécia, aproximadamente na mesma latitude que Anchorage (no Alasca) e ainda mais ao norte, embora mais quente que o Alasca devido à Corrente do Golfo e sem muitos vegetais ou frutas comestíveis. Entre os poucos vegetais comestíveis, estava a Angelica.
Ambas as partes verdes e as raízes eram comidas. Também era usada como conservante para preservar leite de rena em recipientes enterrados no chão gelado da montanha. A casca interna dos pinheiros era processada e comida como suplemtno de vitamina C. Várias ervas diferentes eram usadas com propósitos medicinais e para fazer chá.

Frutas comestíveis incluíam mirtilhos, rhamnus (muito ricos em vitamina C), amora alpina (geléia de amora alpina pode ser encontrada na loja da IKEA mais próxima) e as amoras brancas silvestres (certifique-se de experimentar, se você visitar a Suécia, Noruega, Finlândia, norte da Rússia, Canadá ou Alasca). Amoras alpinas e amoras brancas silvestres contem acidulantes naturais que as tornam fáceis de armazenar por um período razoavelmente longo.

Existe uma palavra no idioma sami para "farinha de grãos", então é possível que algo tipo de grão selvagem tenha sido colhido em quantidades pequenas mesmo em tempos remotos. Na história mais recente, os samis trocavam pequenas quantidades de grãos com os agriculturalistas próximos. Da farinha eles faziam pão sem fermento e alguns pratos com sangue. Pão fermentado só se tornou popular mais tarde, no final do século XIX.


Ainda assim, não havia muitos carboidratos disponíveis. Nenhuma loja de conveniência na qual parar para um lanche rápido engolido com um copão de refrigerante enquanto se pastoreava as renas nas montanhas. A dieta tradicional sami era low carb por definição, sem necessidade de se requisitar questionários por escrito para confirmar isso.

Esse artigo enorme (sim, você ainda não viu nada) é baseado principalmente em 3 documentos:
  1. “Estilo de vida e saúde sami – estudos epidemiológicos do sueco do norte", uma dissertação recente feita por Lena Maria Nilsson, da universidade Umeå, cujo texto em inglês está disponível aqui. (O resumo está disponível em sueco e 4 dialetos sami)
  2. “Samisk mat” [Comida sami], um documento em sueco publicado pelo Conselho Sami Sueco aqui. Documenta a comida sami tradicional, baseada em animais. Infelizmente, está disponível apenas em sueco mas eu acredito que você poderia ler descrições similares de como o animal inteiro era usado para fazer comida, roupas e abrigos em documentos sobre nativos americanos e canadenses para o bisão e o caribu. Nada era desperdiçado. (a Wikipedia tem uma página sobre culinária sami moderna)
  3. A análise de isótopos de um esqueleto feminino de 500 anos de idade, encontrado em Gransjön, Jämtland, feita pelos arqueólogos Marcus Fjällström e Gunilla Eriksson. Também está em sueco e não está online.
Qualquer pessoa interessada em dieta paleo ou low carb deveria ler as primeiras partes da dissertação de Lena Maria Nilssons, que descreve o pano de fundo da dieta e saúde sami. Eu acho que ela fez um trabalho realmente importante entrevistando samis idosos sobre como era a dieta por volta de 1930-1950 - informação que de outra maneira teria sido perdida para sempre. Uma das descobertas importantes é que peixes gordos tinham um papel muito mais importante na dieta sami do que se assumia por muito tempo. Considerava-se que ela era composta principalmente de carne e vísceras de rena. O resto da tese é sobre estudos observacionais recentes que eu considero bastante sem sentido, tentando ligar o padrão de dieta sami à saúde em uma época em que não há praticamente mais ninguém comendo comida tradicional sami.

Durante o século XX os samis foram mais e mais integrados/assimilados à sociedade dominada pelos "suecos étnicos". Sua dieta gradualmente tornou-se mais similar à dieta sueca padrão. Suas crianças foram às escolas e jardins de infância onde comidas suecas com alto carboidrato eram servidas. O consumo de peixes gordos entre os samis declinou, bem como as vísceras de renas e carne de caça.

A expansão das plantas hidrelétricas e represas na maior parte dos grandes rios do norte da Suécia provavelmente contribuiu para tornar mais difícil sustentar uma dieta baseada em peixes gordos. A tradição de ordenhar renas acabou no meio do século XX. As mesmas mudanças na dieta que aconteceram aos suecos "étnicos" em geral também afetaram a população sami. O consumo de açúcar aumentou dramaticamente, e também a quantidade de produtos baseados em grãos. Farinha de trigo branca, altamente processada e com índice glicêmico mais alto e mais amido, moída em moinhos de aço, gradualmente substituiu grãos como o centeio, a cevada e a aveia moídos com moinhos de pedra. Pão fermentado substituiu o pão ázimo quase completamente.

Agora é onde eu acho que a tese de Nilsson mostra-se reveladora. Ela descobre alguns padrões de alimentação que ainda são mais comuns entre a população sami, se comparados com outros suecos em geral, tais como uma taxa maior (embora não tão alta quanto antes) de consumo de peixes gordos e uma ingesta menor de pão, fibra e vegetais (mas não tão baixa quanto antes). A partir disso ela cria um sistema de classificação de dieta sami similar ao sistema da dieta mediterrânea. Essa classificação, aliás, inclui o consumo de café não-coado. Por alguma razão, os samis adquiriram o hábito de tomar café quando o mesmo foi introduzido na Suécia no século XVIII e passaram a consumí-lo em grandes quantidades. Os suecos em geral tomam café coado, mas os samis mais provavelmente tomam café sem coar.

Mas se deixarmos o café de lado, o grande problema é que você não pode investigar o potencial de saúde de uma dieta sami quando ela não existe mais. Estudos do meio do século XX, enquanto a maioria dos samis ainda tinha comido uma dieta tradicional pela maior parte de suas vidas, mostraram um benefício de saúde claro no tocante a doenças ocidentais tais como problemas cardiovasculares e a maioria dos cânceres.

Estudos mais recentes mostram que a expectativa de vida e a saúde dos samis e dos suecos "étnicos" atualmente convergiu. Em sua tese, Nilsson chega rapidamente a uma conclusão a partir desse fato: "A relativamente boa saúde da população sami provavelmente não é atribuída aos aspectos estudados [dieta] do estilo de vida tradicional sami...."

Aqui estão minhas grandes objeções a tal conclusão. Minha hipótese, ao invés, seria algo assim: enquanto os samis permaneceram em uma dieta que poderia ser modernamente descrita como "tradicional sami", eles eram saudáveis - de fato muito mais saudáveis que os suecos "étnicos". À medida que a sua dieta se deteriorou e tornou-se mais parecida com a dieta padrão sueca com muito açúcar e grãos, a saúde sami começou a se deteriorar ainda mais rapidamente do que a dos suecos "étnicos" quando comiam dieta similar.

O caso é que os samis são um povo aborígene com uma longa história de estilo de vida e alimentação baseada em caça e coleta. O debate científico continua e o júri ainda ignora isso, mas hoje em dia parece mais provável que a introdução da agricultura nos países nórdicos não foi apenas um espalhamento de memes (idéias), mas também um espalhamento de genes... Ou para colocar de outra maneira, os invasores agriculturalistas do sul, do Crescente Fértil do Oriente Médio em grande medida substituíram os caçadores e coletores que haviam vivido no norte da Europa anteriormente.

De acordo com pesquisa de DNA, os suecos "étnicos" tem, assim como quase todos os povos da Europa, traços genéticos substanciais que apontam para influência maciça dos agriculturalistas do Crescente Fértil (uma exceção a isso é o povo finlandês que influência genética dos agriculturalistas relativamente baixa e cuja linguagem é relacionada aos diferentes dialetos sami).  O povo sami não mostra influência genética dos agriculturalistas antigos e pesquisa de DNA sugere que eles são descendentes de caçadores e coletores.

As razões pelas quais isso é importante nessa discussão é porque há alguma evidência de que os agriculturalistas antigos do Crescente Fértil pareciam ter desenvolvido algumas adaptações genéticas para comer uma dieta baseada em grãos e ainda permanecer saudáveis pela maior parte de suas vidas.

Caçadores e coletores aborígines, por outro lado, parecem estar menos adaptados a comer uma dieta ocidental baseada em grãos e açúcar. Eles são muito mais propensos a adquirir doeças ocidentais como diabetes, doenças cardiovasculares e câncer mais cedo na vida, quando comem  uma dieta ocidental. Jennie C Brand-Miller, uma famosa pesquisadora australiana famosa por sua pesquisa com índices glicêmicos (IG) e carga glicêmica (CG) apresentou a hipótese da conexão carnívora pra explicar esses fenômenos. A hipótese postula que a resistência à insulina pode ter provido uma vantagem evolutiva para os caçadores e coletores que comem uma dieta low-carb, mas que hoje é danosa à sua saúde quando comendo uma dieta ocidental.

Então mesmo que ainda haja traços vagos deixados pela dieta sami tradicional na dieta sami moderna, tais como o consumo mais alto de peixe e carne, o alto conteúdo de carboidratos facilmente digeríveis na dieta sami moderna pode muito bem ser mais perigosa à saúde deles, ainda que contenha menos carboidratos do que a dieta sueca padrão. A dieta sami moderna simplesmente atingiu o limite superior de carboidratos que ameça a saúde, da mesma forma que a dieta com um pouco mais de carboidratos dos suecos "étnicos" ameaça a deles. Se você acredita que há alguma relevância na hipótese da conexão carnívora de Brand-Miller, então a saúde sami pode muito em breve estar pior do que a dos suecos "étnicos", À medida que os padrões da comida tradicional sami dão lugar à dieta padrão sueca.

A razão pela qual isso ainda não aconteceu pode ser pelo fato de que os samis que pastoreiam renas tem ao menos algumas proteções da lei sueca, tornando um pouco mais fácil para eles manterem um padrão de alimentação e estilo de vida mais tradicional, enquanto muitos outros povos aborígenes de outras partes do mundo tem sido forçadas a abandonar seus estilos de vida tradicionais e dietas.

Uma vida de pastores nômades conflita com com o conceito capitalista ocidental de possuir a terra. Mesmo os samis pastores de renas tendo o direito básico de guiar seus rebanhos para onde a atividade é praticada desde tempos ancestrais, é frequentemente difícil provar quando os proprietários da terra se recusam a permitir, já queos samis não mantem registros públicos datando de centenas de anos. Os esforços para preservar a população de lobos na Suécia também afeta o pastoreio de renas.

Em 1986 o norte da Suécia foi duramente atingido pela precipitação radioativa da planta nuclear de Chernobyl, na Ucrânia. A maior parte da carne de renas e das amoras foi declarada não-adequada ao consumo humano por muitos anos. O governo forneceu uma compensação econômica básica pelo desastre, mas foi um golpe para as renas. (É importante mencionar que as tribos nativas americanas e canadenses, em um ato de solidariedade, mandaram mantimentos aos samis sob forma de carne e amoras)

A dieta tradicional sami e seus efeitos na saúde merece uma investigação mais detalhada. Nós temos registros históricos que apontam para ela ser mais saudável do que a dieta que recomendamos atulamente, baseada em grãos. Simplesmente desprezar a dieta tradicional sami como não tendo nada a ver com boa saúde, baseada em estudos observacionais incertos feitos numa época em que praticamente ninguém mais come dessa forma, é tão ignorante quanto desrespeitoso.

A dieta sami merece ser investigada em um estudo intervencional conclusivo. Um pequeno estudo intervencional foi feito na Austrália, no qual pessoas aborígenes que apresentavam diabetes e obesidade fora colocados de volta em suas dietas tradicionais de caçadores e coletores. O estudo mostrou que as suas saúdes melhoraram. Um estudo similar foi feito em Vancouver (Canadá) com nativos canadenses, e foi descrita no filme ”My Big Fat Diet”.


Infelizmente, a Suécia tem uma longa tradição de desrespeito e racismo em relação aos samis. Na enciclopédia sueca ”Nordisk Familjebok”, presente em cada escola sueca durante o início do século XX, os samis eram descritos como "gananciosos, teimosos, suspeitos, corcundas, tendo um jeito idiota de andar, orelhas pontudas, vozes agudas irritantes, sendo feios, sujos e cheirando mal".

Então ainda que o nazismo nunca tenha sido grande na Suécia e que por pura sorte não fomos invadidos por Hitler, ainda assim temos a nossa cota de um passado sombrio, racista. De fato, a Suécia foi o primeiro país no mundo a criar um instituto com financiamento governamental para estudar "biologia racial", em 1922. Eles chegaram a fazer medidas da circunferência de crânios  de samis vivos e mortos (profanando sepulturas) na tarefa de provar a superioridade dos caucasianos brancos.

Mas para finalizar esse longo artigo de uma maneira positiva, há esperança. O esqueleto de 500 anos da mulher sami foi devolvido à comunidade para ser re-enterrado após o fim da análise de isótopos que nos ensinou tanto sobre a dieta tradicional. Em 2006, um museu sueco finalmente decidiu que era hora de devolver um totem roubado da tribo Haisla no Canadá e o famoso jogador de hóquei Börje Salming, que pe de origem sami, foi a pessoa escolhida para fazer a entrega.

O efeito da dieta tradicional sami, bem como o de outras dietas aborígines tradicionais, merece ser testado com seriedade, em estudos científicos intervencionais, comparando cabeça-a-cabeça com a dieta baseada em grãos que hoje em dia é recomendada mundo afora pelas autoridades.

Per Wikholm


PS: Como eu poderia esquecer de terminar esse artigo com o fantástico cartum abaixo, de autoria da Jenny Holmlund?
Mãe sami: “Olhem, crianças, uma suéca étnica”
Garoto sami: “É verdade que vocês vivem em casas que valem menos do que vocês pagam por elas ?"
Garota sami: “E que todas as suas roupas são feitas por crianças do outro lado da Terra ?”
Garoto sami: “E que vocês só comem comida industrializada ?”

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1 comentários:

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Morena Braga
admin
29 de outubro de 2013 13:44 ×

Eu acredito que como os Samis, infelizmente foram " conquistados" pela a facilidade da alimentação moderna... Nós também podemos conquistar os nossos filhos, sobrinhos, familiares; para retornar a alimentação de verdade!! Pelo que li, o fato de aos poucos, alguns incluindo devagar a alimentação de grãos, logo,logo, aos poucos nós que hoje estamos voltando a alimentação de verdade, também conquistaremos,ou melhor, re-conquistaremos o lugar da alimentação verdadeira....
Valeu Hilton, por mais uma tradução maravilhosa!! Obrigada.

Congrats bro Morena Braga you got PERTAMAX...! hehehehe...
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Sobre o autor

Mineiro de Teófilo Otoni, morador de Belo Horizonte. Gosto muito de comer, e depois de alguns anos chafurdando na comilança de bobagens, decidi tomar tento e passar a comer comida de verdade. Descobri o modo de alimentação paleo/LCHF em meados de 2010, mas só comecei a por em prática em fevereiro/2013.

Hoje, sou mais feliz - e os exames de laboratório estão TODOS melhores :-D

Acompanhe minha trajetória em fotos aqui.

Aviso!

Este blog é composto por minhas opiniões pessoais, baseadas em auto-experimentação com dieta paleo, e também por artigos traduzidos - estes produzidos por estudiosos do assunto. As opiniões expressas aqui, minhas ou de outros autores, não podem substituir as de seu médico. O que funciona bem para mim, pode não funcionar para outras pessoas. Se você escolher seguir alguma das opiniões aqui publicadas, faça-o com o conhecimento do seu médico!

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